quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Cufa participa do II Encontro da Juventude, em Toledo

A Central Única das Favelas desde que chegou ao Estado do Paraná, em 2006, tem buscado fomentar ações diversas que contemple o tempo ócio da juventude de favela. Ao logo dos 11 anos, desenvolveu centenas de projeto alcançando milhares de jovens e atualmente tem base em 15 cidades do Estado. A Cufa tem proporcionado discussões e ações de enfrentamento em todos os âmbitos da sociedade paranaense, principalmente na questão do atendimento e empoderamento do jovem negro. E em meio às diversas demandas existentes nas favelas a instituição sempre procurou fazer algo para saná-las, mas com o tempo percebemos que do outro lado do jogo também existe a questão discursiva, ou seja, o pode público que em partes decidem “sobre a vida dos jovens” e pensado em somar e contribuir, desde então tem participado como apoio de encontros.
Acreditamos que é importante trazer estas discussões para dentro da favela como também os favelados participarem dessas discussões no asfalto. Neste momento nos cabe também sermos astutos, pois, nossa pauta e as favelas e suas demandas e não á política que gira entorno. Mas, partimos sempre do contexto mais próximo da nossa realidade, o empoderamento dos pares e não da necessidade de alguns em promover e realizar assistencialismo ou da manutenção dos cargos público, pois, entendemos que não têm continuarem decidindo a vida do favelado sem que ele faça parte da discussão. Seguindo esta linha de raciocínio no dia 04/08, os membros da Cufa Toledo: Mario Kaxópa, Fernanda Fetter e Thiago Fernando; participaram do II Encontro da Juventude, em Toledo.
A iniciativa dá continuidade ao anúncio feito durante o Encontro Estadual, em Janeiro de 2016, que junto aos jovens e suas periferias buscarão discutir ações e as levarem ao âmbito das instituições públicas e/ou privadas, mas com fins de resolução. Desta forma, na ocasião, discutiram com os demais presentes e gestores públicos as demandas existentes para com a juventude da cidade. Possivelmente novas oportunidades surgirão. Enfim, mediante as constatações e anseios dos jovens que “em partes são representados pela Cufa” ou pelo menos os que são atendidos por ela. Observa-se que á necessidade de mais iniciativas culturais, esportivas e ação inclusiva, na qual os jovens possam ter não só participarem, mas também expressarem suas necessidades.

Cufa Paraná: contato.cufaparana@gmail.com

domingo, 6 de agosto de 2017

Eles não sabem de que lado virá o “inimigo”.

Versos | Prosas - Por José Antonio C. Jardim 
Uma Tarde na Favela do Tiradentes. Para algumas pessoas é da favela que emanam todas as mazelas sociais é o lugar a onde mora o inimigo. Mediante á desinformação ao longo dos anos fez com que proliferara-se os estigmas negativos para com as favelas e seus habitantes. Em algumas cidades e Estados às pessoas e entre elas os próprios governantes não aceitam tal palavra favela para se referir as suas “periferias” e para referir-se aos territórios atribuem outros nomes, a exemplo: comunidade, invasão irregular, palafita, aglomerado subnormal e outros. Mas, o que é favela? Adiantamos aos amigos leitores que favela é um território invisível e desconhecido de muitos, no entanto, é um “território habitado ou não de forma irregular sim, mas habitado por pessoas”, mas em suma é  um espaço invisível e desprovido de infraestrutura pública.
Enfim, é em uma tarde gelada de inverno do mês de julho que resolvemos conhecer mais sobre a favela do Tiradentes, em Curitiba. Na ocasião, também proporcionamos ás crianças e adolescentes uma tarde sociocultural, pois, estão de férias escolares e poucas são as opções de lazer. Seguimos naquela tarde fria percorrendo os becos e vielas em busca dos alunos. O silêncio á nevoa e a brisa fria que nos acompanhava em peregrinação pelos corredores estreitos ao som do vento á soprar ao nosso encontro como laminas cortantes aos nossos rostos nos dava uma leve impressão que tudo estava bem, apesar de sabermos que não está, pois, caminhávamos em uma favela com dezenas de habitantes que sobrevivem praticamente com o mínimo de infraestrutura pública.
Não precisamos ir muito longe e logo nos primeiros becos nos deparamos com o primeiro grupo de crianças e adolescentes que eufóricos ao nos avistar correram ao nosso encontro, estampando largos sorrisos. A passos lentos fomos todos nós para a biblioteca comunitária. Naquele momento toda indiferença social, racial e religiosa que vieram a sofrem se sucumbia em alegria. Ao se depararem com as latas coloridas de spray se deslumbravam com algo tão simples, as corres, mas para eles naquele momento de férias é tudo o que tinham para ocupar o tempo ocioso. Arrebanhamos todos naquela tarde em uma pequena varanda estreita ao lado da igreja que diariamente fica fechada. Sem saber o estava para acontecer às mães vigiando os seus filhos e ao mesmo tempo nos observavam desconfiadas, pois, constantemente convivem com o fantasma do despejo.
No entanto, observa-se que as férias escolares para estas crianças é algo imaginário. As “regalias e alegrias” não são permitidas por aqui diversos fatores e entre eles a disponibilidade de infraestrutura pública. Acordar mais tarde, brincar sem ter hora de parar não é para eles, pois, poucas são as opções de lazer por aqui á não ser a velha bola furada e as ruas de terra que no improviso transforma-se no campo de futebol. Espaço que também é disputado com os cachorros, ciclistas e pedestres. Não precisa ser um expert em questões sociais ou algo do tipo para observar que estas crianças não desfrutam em sua favela do parquinho público personalizado ou do campo de futebol com gramado sintético e muito mesmo da piscina aquecida ou da colônia de férias. Disponibilizados em outras regiões da metrópole "europeia" no Brasil. Mas, é através do graffiti e das corres vibrantes que a fantasia ganha vida não só nas paredes, mas nas falas. “Eu vou ser professora quando crescer; eu vou ser médico – grita o amiguinho do lado”.


Sob os olhares atentos dos pequeninos do que estava por vir seguíamos juntos sobre o comando do grafiteiro, o Francês – Tudo Posso; que dispusera do seu tempo de trabalho para estar conosco. Porém, ao presenciarmos tamanha alegria o nosso desejo naquele momento era de desbravar o mais profundo daquele território em busca dos seus diamantes (crianças) e apesar das mazelas sociais existente, da segregação e do descaso público para com estas pessoas, é um campo fértil de flores (adolescentes) que florescem a cada manhã gelada em meio à selva de pedra. Não demorou muito para que o nosso pedido fosse concedido. Uma das líderes comunitária virou-se para nós e disse: vocês querem caminhar e conhecer os novos moradores e a outra parte da favela?
De imediato partimos rumo ao desconhecido e entre uma casa e outra pausa para a prosa. Em uma pequena reunião uma senhora educadamente esperou sua vez para relatar sua história e não demorou muito para que as lágrimas viessem e com a voz tremula enaltece á favela, o sonho de ter um lar para acolhesse os filhos e insistentemente agradecia á Deus por ter um teto. Entre as pernas da mãe e sem saber o porquê das lagrimas as criança tímida compadece de igual forma e chora. Longe do imaginário dessa pessoa ela nos agracia com seus discursos, lágrimas e histórias de perseverança. E, mais uma vez estas pessoas nos mostram o tanto que equivocado é às pessoas em proferir ou concordar que é só das favelas que se proliferam as mazelas sociais; violência e trafico de drogas.
Nota-se que as histórias de luta pela sobrevivência e dignidade segue na contra mão da realidade exposta no imaginário midiático diariamente. Nem toda mazela prolifera-se da favela e toda marginalização direcionada á estas pessoas e seus territórios só reforçam á ideia de que o ser humano é injusto e cruel ao torná parte da sua própria sociedade invisível. E, ao contrario do que é exposto sobre o individuo do asfalto e os seus territórios “ditos normais” poucas vezes presencia-se o pulsar da vida com tanta veemência. E, assim seguimos em nossa peregrinação até sumir do alcance da visão daquela primeira família e a impressão que nos toma naquele momento ao olhar para trás e não mais ás vê-las é que para elas, nós, éramos a única chance de suas vidas. E, como as águas cristalina do rio esvaindo-se entre os dedos das mãos mergulhado ao leito em meio a verde floresta e ao canto alegre dos pássaros, erramos-nós para aquelas pessoas, por alguns minutos. Querendo ou não, eu, em particular por alguns minutos confesso que tive que me contentar com minha angustia e a inquietação.
Mas, caminhando entre um beco estreito não dei conta da minhas emoções. Metros a frente me virei e perguntei a presidenta da comunidade que nos acompanhava em missão de exploração territorial: Como vocês fazem para administrar, organizar todas estas famílias? As demandas são muitas em todos os sentidos e é praticamente impossível em nossa concepção administrar sem a presença do poder público. Pelo menos aprendemos assim! Ela parou olhou no fundo dos meus olhos e disparou: “Aqui pia todo mundo têm suas responsabilidades e sabem da suas obrigações. Ao contrário do que muitos pensam, existe ordem, ética e respeito; todos têm direitos e deveres, principalmente com as crianças. Todos têm que responder a chamada comunitária uma vez na semana... a fila fica enorme, mas tem que responder. Cada um tem o número no seu barraco e é por ele que são chamados, neste dia eles relatam todos os problemas e alguns são resolvidos na hora e outros durante a semana, aproveitamos para decidir tudo, até as festas.” Afirma.
É surpreendente o modelo de “gestão pública” independente elabora por eles. Seguimos e após algumas horas de caminha e já voltando paramos novamente para prosear com uma senhora haitiana, entre as falas pergunto: Há quanto tempo mora no Brasil? Pode nos falar sobre esta experiência? De imediato o silêncio tomou conta da nossa roda de conversa. Inquieto, quebro o silêncio novamente: Tem saudades dos familiares? “Sim, temos muita saudade dos pais e família no Haiti. Moramos a tempo no Brasil... maior que a saudade é a dor da discriminada... no Haiti, não sofríamos racismo e aqui Brasil somos maltratado por alguns brasileiros. Tenho medo de maltratarem meus filhos”. Naquele momento dava para ver nos olhos daquela senhora a dor e a tristeza e morar em uma favela totalmente desassistida é o mínimo frente a segregado racial sofrida.
Meu coração aflito se compadeceu com sua dor. Minha garganta secou e as palavras sumiram, sem saber o que falar á tristeza tomou conta do meu ser, mas sabia que não poderia sair dali sem pedir desculpar o mínimo. Mesmo sabendo que nada poderia amenizar a dor e tudo que falássemos não curaria a ferida aberta que perpetuará para toda uma vida. Peço desculpa á ela por todos nos brasileiros, principalmente por aqueles que de alguma forma direta ou indireta lhe ofenderá. Ela deu um profundo suspiro buscando forças no fundo de sua alma para nos responder. Junto com á resposta as lagrimas que rolavam em seu rosto: "Desculpa aceita, mas não foi você que me ofendeu e você não tem que pagar pelo erro dos outros." Sem ter o que argumentar nos despedimos com um abraço apertado e seguimos cada um seu caminho.
Confesso que foi uma experiência única e ímpar poder fazer parte por algumas horas da vida dessas pessoas. Em resumo os olhares trocados, as prosas e as lágrimas em suma são pedidos subliminares de auxilio para com a realidade diária, mas também reflete o medo de perder seus lares. E, por mais que tentávamos naquela tarde fria combater á desigualdade social, racial e ausência de política pública, sabíamos que não se trata só de legitimar ou lhes proporcionar acesso á nossa presença e auxílio, pois, as necessidades dessas pessoas vão além do assistencialista público/privado, das religiões, da cultura, ou seja, além das ideologias hipócritas. Estas pessoas precisam é serem reconhecidas como parte visível da sociedade por todas as esferas público/privado e terem seus direitos e deveres dignamente respeitados e efetivados como o cidadão do asfalto. 

José Antonio é presidente estadual da Central Única das Favelas do Paraná, ativista social, empreendedor social, pastor IPB, formado em Teologia (FTSA) e Psicologia. Contato: jose.cufaparana@gmail.com



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Projeto 5ª Essência Fetter Company

A dança, seja ela qual for a modalidade, tem por natureza própria agregar valores aos participantes como elemento cultural de expressão artística, além de aprendizados e outros sentidos. O Street Dance, que também é conhecido como dança de rua, é uma das formas de expressão artística com ampla riqueza cultural, e que tem se difundido cada vez mais na sociedade, sobretudo na juventude.
A CUFA – Central Única das Favelas de Toledo/Pr, por meio do Projeto 5ª Essência Fetter Company, não só entende o valor da dança para os jovens, como se utiliza da mesma com o objetivo de compreender e trabalhar valores e motivar os sentimentos artísticos dos nossos jovens. O Projeto 5E é idealizado e coordenado por Fernanda Fetter e atende em torno de 60 pessoas.
Através do 5E, os jovens têm a oportunidade de expressarem os significados que integram o campo de possibilidades artísticas e, além disso, o projeto contribui para a ampliação da aprendizagem, para a formação humana e para a qualidade de vida. Nas mais diferentes modalidades, os jovens que integram o grupo, têm a oportunidade de expressarem a linguagem da arte. O projeto tem ganhado vários adeptos e destaques na cidade, região e Estado, bem como em outros âmbitos. As coreografias inovadoras e os cenários urbanos que compõem cada apresentação, expõem não só o espírito juvenil pulsante, mas a necessidade de ir além dos limites da arte. Dessa forma, pedagogicamente falando, a dança é uma ferramenta de possibilidades e oportunidades para os alunos, de integração coletiva e ressignificação da autoestima. Nesse contexto, porque não inserir esse ritmo nos espaços escolares afim de estimular alunos em sua capacidade de sentir, pensar e agir no mundo?
A dança, em especial a dança de rua é uma manifestação cultural contemporânea que surgiu por meio da indignação dos jovens da periferia, que foram para as ruas manifestar seus desejos, sentimentos e ideias através do corpo e da dança. No entanto, comprovadamente, a dança (Street Dance) também pode ser considerada uma ação preventiva em relação à saúde e ao uso de drogas, pois, contribui para a manutenção e funcionamento do organismo das pessoas que a pratica. Enfim, a dança é uma expressão que de forma indireta e direta reflete a cultura, a religião, os costumes, os desejos, e os ideais; é uma forma artística de representatividade do contexto social.


 Fernanda Fetter - Coordenadora


 Moção de Aplausos - Câmara de Vereadores de Toledo




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II Arraia Comunitário do Vista Bela

As roupas ornamentadas e coloridas, os chapéus com rendas nas bordas, a fogueira e a grande roda de dança caipira anuncia á chegada da festa junina no Vista bela. Foi assim na tarde do dia 23/06, na comunidade. As pessoas se reuniram na Quadra Esportiva e juntas festejaram, o espaço se tornou em um grande palco e aproximadamente setecentas pessoas puderam apreciar a festa. A iniciativa é dar continuidade ao anúncio feito pelo Central Única das Favelas de Londrina em janeiro deste ano, realizar diversas ações socioculturais junto á comunidade do Vista Bela e outras. O acordo foi estabelecido na reunião de planejamento anual pelos coordenadores da Cufa Londrina, Leandro Palmeira e Michelle. A ação junina é uma iniciativa do Projeto Juventude pelo Bairro – UEL com apoio da Rpc Londrina e parceiros.
Notasse que as festas juninas no Brasil é uma tradição que se espalhou por todo território nacional alcançando milhares de brasileiro. Enfim, a fogueira, as bandeirinhas, as brincadeiras, o amendoim, a dança, o tradicional quentão, as deliciosas guloseimas a base de milho anunciam que chegou uma das épocas mais divertidas do ano. Uma data que faz parte do calendário cultural das pessoas e se tornou de fácil acesso para todos e por isto é comum encontra ações juninas nas escolas, igrejas e comunidade em geral. Mas o auge desta data é na região nordestina a onde se concentra as maiores festas do país. Tendo um importante papel na economia atraindo turistas de várias regiões do Brasil e do mundo, gerando empregos e renda.
O nosso objetivo em organizar tal manifestação cultural é proporcionar o envolvimento das pessoas perpetuando a expressão cultural popular que em particular faz parte da história do nosso povo. Á festa não visa lucro propriamente dito, mas a inclusão sociocultural. Apesar de que o fato de ter varias pessoas circulando em uma região indiretamente a economia local têm ganhos e também a relatado dos comerciantes locais que afirmam vender mais em seus estabelecimentos nesta época. Desta forma, é uma forma de propagar a valorização á cultural local e resgate de tradições que remetem à origem da celebração em territórios periféricos, enfim, acreditamos que todos ganhar.





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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lugar de negro e pobre é na favela? Sim, por que não seria?

Versos | Prosas - Por Isaac Silva dos Santos.
Morte, violência, drogas, desigualdade, destruições, marginalidade, pobreza e miséria são sempre sinônimos na voz de uma sociedade alienada, midiática e por que não ignorante de fatos que acontecem nas favelas brasileiras. Torna-se comum indivíduos descreverem  a favela como lugar de raça negras e de classe social baixa, ou seja, lugar do pobre e do  negro.  A favela é sim uma grande verdade de demandas de pobres e negros, entretanto, seria esse o pior lugar do mundo para viver?
Porque é pejorativo como um local indigno de sobreviver, de educar filhos? No texto Sobrevivente da selva de pedra, o autor José Antonio C. Jardim, descreve uma favela com grande potencial social, cultural e econômico. A obra apresenta fatos que ajudam a desmitificar a favela como lugar de violência, alienação e bandidagem. A reflexão ainda propõe uma aproximação da realidade de quem sobrevive nestes locais a “selva de pedra” que por vezes são ignorado politicamente, culturalmente e socialmente, ou seja, um povo estigmatizado pela pele, classes social e localidades. O autor conclui sua análise, descrevendo que a grande massa da favela, não deveriam ser representada pela pequena porcentagem marginais que se escondem e objetivam recrutarem meninos e meninas para o crime.
Precisamos compreender que a proposta se torna irrecusável por dinheiro “fácil” ou como forma de  auxiliarem financeiramente suas famílias. Percebe-se que os jovens favelados são tão sonhadores como qualquer outros fora desta realidade, todavia, os moradores da favela são sim, verdadeiros guerreiros que lutam diariamente contra um estigma empobrecedor e buscam seu lugar como qualquer outro individuo para proteger e cuidar de sua prole. Os funkeiros Dinho & Doca versam: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar.” Hoje, nesta reflexão percebo a problemática de propor uma intervenção diante de tantas colocações de que favela seja como o câncer de uma sociedade, que vivem lá quem quer, que precisam ir para bem longe, para não enfeiar a nossa cidade. Será?
Como aproximar uma realidade negligenciada, muitas vezes corrompida e muito mais emblemáticas que o povo da favela. Não há como negligenciar que a discriminação racial e social, que também é herança histórica e que sempre esteve ligada aos interesses políticos e econômicos, somada ao processo tardio e passivo da abolição da escravatura e exploração de mão de obra barato, como consequência esse efeito trouxe para os dias atuais a visão naturalista das desigualdades entre brancos e negros, entre classes e localidade, provocando as diferenças de oportunidades até mesmo no desempenho educacional, demarcando um traço de inferioridade socioeconômica.
É inegável ao se analisar a história do Brasil e sua formação tanto cultural, como social e econômica, a importância e a participação ativa da população pobre e negra neste processo. Entretanto, desde a forma como foram divididos as classes sociais no Brasil, cuja trajetória é marcada pela quase inexistência de políticas públicas para reverter os lastimados dados ora apresentados, que refletem uma realidade de total exclusão dos menos favorecidos na sociedade ativa.
Atualmente a sociedade deva atentar para a importância de ações afirmativas como as urbanizações, saúde, acessibilidade, educação, saneamento básico e etc. Neste sentido é indiscutível a importância da aproximação da sociedade, com realidade obtidas de relatos e informações dos moradores e não de senso comum ou mídias que empobrecem a favela, e afastam os olhares de política pública a ser utilizada para diminuir esse abismo social entre a população favelada e as demais etnias que compõem a sociedade brasileira.
Isaac é psicólogo, pastor e ativista em favor das questões afro-brasileira.

Cufa Curitiba discute projeto de combate ao racismo institucional

A História do Brasil é marcada pelos intermináveis capítulos a respeito da escravidão e do genocídio da população negra e indígena. E é neste mesmo país que todo ano 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados, aproximadamente 63 por dia e 1 a cada 23 minutos. Os dados desta triste realidade podem facilmente ser encontrado no mapa da violência 2016 e em relatório de instituições que estudam a questão violência. E, em meio o dados encontra-se o fator racismo que pouco é discutido. No entanto, no entrelaçamento dos objetivos das ações desenvolvidas pela Cufa indiretamente trabalha-se ações que conscientize que coíba a pratica do racismo. Desta forma, no último dia 25 de julho, a Central Única das Favelas de Curitiba através da pessoa do seu Presidente Estadual José Antonio C. Jardim (Zé da Cufa) que foi convidado á se reunir em Curitiba na sede ESPC - Escola Superior da Policia Civil do Paraná com o Dr. João Carlos da Costa e o Dr. Diretor da Sebastião Ramos Dos Santos Neto.
No Brasil como em outros países, a questão racial começa a aparecer como relevante na última década e é a partiu de alguns casos, assim também com a criação de algumas leis. Porém, nota-se que no Brasil as atitudes racistas em sua maioria são veladas, Visando todo o contexto (principalmente á questão do racismo velado) em que ambas as instituições estão inseridas e com fins de contribuir no combate ao racismo, ambos discutiram sobre as ações das instituições no Estado do Paraná e as atividades que possivelmente podem ser desenvolvidas no combate ao racimo, racismo institucional e morte e violência contra o jovem negro. E, como se trata de uma instituição pública que lida diretamente com um público que em partes está relacionado á conflitos a pauta foi em juntar forças no combate ao racismo individual e o institucional. 
No caso do racismo individual pensou-se em ações de conscientização, pois está forma sutil de racismo na maioria das vezes passa despercebida aos olhos da vitima e acontece quando alguém basicamente se acha superior ao outro por conta de sua cor. No caso do racismo institucional é desencadeado quando as estruturas e instituições, públicas e/ou privadas, atuam de forma diferenciada em relação a determinados grupos ou pessoa em função de suas características (cor), físicas ou culturais. É importante trazermos estas discussões de enfrentamento para todos os âmbitos da nossa sociedade e com o máximo de parceiros possível, principalmente as instituições que atendem os jovens.  E, fazer com que não só as instituições públicas e/ou privadas, mas a sociedade de forma geral discutam á temática é de suma importância no combate ao racismo.
Cufa Paraná: contato.cufaparana@gmail.com