quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Cufa participa do II Encontro da Juventude, em Toledo

A Central Única das Favelas desde que chegou ao Estado do Paraná, em 2006, tem buscado fomentar ações diversas que contemple o tempo ócio da juventude de favela. Ao logo dos 11 anos, desenvolveu centenas de projeto alcançando milhares de jovens e atualmente tem base em 15 cidades do Estado. A Cufa tem proporcionado discussões e ações de enfrentamento em todos os âmbitos da sociedade paranaense, principalmente na questão do atendimento e empoderamento do jovem negro. E em meio às diversas demandas existentes nas favelas a instituição sempre procurou fazer algo para saná-las, mas com o tempo percebemos que do outro lado do jogo também existe a questão discursiva, ou seja, o pode público que em partes decidem “sobre a vida dos jovens” e pensado em somar e contribuir, desde então tem participado como apoio de encontros.
Acreditamos que é importante trazer estas discussões para dentro da favela como também os favelados participarem dessas discussões no asfalto. Neste momento nos cabe também sermos astutos, pois, nossa pauta e as favelas e suas demandas e não á política que gira entorno. Mas, partimos sempre do contexto mais próximo da nossa realidade, o empoderamento dos pares e não da necessidade de alguns em promover e realizar assistencialismo ou da manutenção dos cargos público, pois, entendemos que não têm continuarem decidindo a vida do favelado sem que ele faça parte da discussão. Seguindo esta linha de raciocínio no dia 04/08, os membros da Cufa Toledo: Mario Kaxópa, Fernanda Fetter e Thiago Fernando; participaram do II Encontro da Juventude, em Toledo.
A iniciativa dá continuidade ao anúncio feito durante o Encontro Estadual, em Janeiro de 2016, que junto aos jovens e suas periferias buscarão discutir ações e as levarem ao âmbito das instituições públicas e/ou privadas, mas com fins de resolução. Desta forma, na ocasião, discutiram com os demais presentes e gestores públicos as demandas existentes para com a juventude da cidade. Possivelmente novas oportunidades surgirão. Enfim, mediante as constatações e anseios dos jovens que “em partes são representados pela Cufa” ou pelo menos os que são atendidos por ela. Observa-se que á necessidade de mais iniciativas culturais, esportivas e ação inclusiva, na qual os jovens possam ter não só participarem, mas também expressarem suas necessidades.

Cufa Paraná: contato.cufaparana@gmail.com

domingo, 6 de agosto de 2017

Eles não sabem de que lado virá o “inimigo”.

Versos | Prosas - Por José Antonio C. Jardim 
Uma Tarde na Favela do Tiradentes. Para algumas pessoas é da favela que emanam todas as mazelas sociais é o lugar a onde mora o inimigo. Mediante á desinformação ao longo dos anos fez com que proliferara-se os estigmas negativos para com as favelas e seus habitantes. Em algumas cidades e Estados às pessoas e entre elas os próprios governantes não aceitam tal palavra favela para se referir as suas “periferias” e para referir-se aos territórios atribuem outros nomes, a exemplo: comunidade, invasão irregular, palafita, aglomerado subnormal e outros. Mas, o que é favela? Adiantamos aos amigos leitores que favela é um território invisível e desconhecido de muitos, no entanto, é um “território habitado ou não de forma irregular sim, mas habitado por pessoas”, mas em suma é  um espaço invisível e desprovido de infraestrutura pública.
Enfim, é em uma tarde gelada de inverno do mês de julho que resolvemos conhecer mais sobre a favela do Tiradentes, em Curitiba. Na ocasião, também proporcionamos ás crianças e adolescentes uma tarde sociocultural, pois, estão de férias escolares e poucas são as opções de lazer. Seguimos naquela tarde fria percorrendo os becos e vielas em busca dos alunos. O silêncio á nevoa e a brisa fria que nos acompanhava em peregrinação pelos corredores estreitos ao som do vento á soprar ao nosso encontro como laminas cortantes aos nossos rostos nos dava uma leve impressão que tudo estava bem, apesar de sabermos que não está, pois, caminhávamos em uma favela com dezenas de habitantes que sobrevivem praticamente com o mínimo de infraestrutura pública.
Não precisamos ir muito longe e logo nos primeiros becos nos deparamos com o primeiro grupo de crianças e adolescentes que eufóricos ao nos avistar correram ao nosso encontro, estampando largos sorrisos. A passos lentos fomos todos nós para a biblioteca comunitária. Naquele momento toda indiferença social, racial e religiosa que vieram a sofrem se sucumbia em alegria. Ao se depararem com as latas coloridas de spray se deslumbravam com algo tão simples, as corres, mas para eles naquele momento de férias é tudo o que tinham para ocupar o tempo ocioso. Arrebanhamos todos naquela tarde em uma pequena varanda estreita ao lado da igreja que diariamente fica fechada. Sem saber o estava para acontecer às mães vigiando os seus filhos e ao mesmo tempo nos observavam desconfiadas, pois, constantemente convivem com o fantasma do despejo.
No entanto, observa-se que as férias escolares para estas crianças é algo imaginário. As “regalias e alegrias” não são permitidas por aqui diversos fatores e entre eles a disponibilidade de infraestrutura pública. Acordar mais tarde, brincar sem ter hora de parar não é para eles, pois, poucas são as opções de lazer por aqui á não ser a velha bola furada e as ruas de terra que no improviso transforma-se no campo de futebol. Espaço que também é disputado com os cachorros, ciclistas e pedestres. Não precisa ser um expert em questões sociais ou algo do tipo para observar que estas crianças não desfrutam em sua favela do parquinho público personalizado ou do campo de futebol com gramado sintético e muito mesmo da piscina aquecida ou da colônia de férias. Disponibilizados em outras regiões da metrópole "europeia" no Brasil. Mas, é através do graffiti e das corres vibrantes que a fantasia ganha vida não só nas paredes, mas nas falas. “Eu vou ser professora quando crescer; eu vou ser médico – grita o amiguinho do lado”.


Sob os olhares atentos dos pequeninos do que estava por vir seguíamos juntos sobre o comando do grafiteiro, o Francês – Tudo Posso; que dispusera do seu tempo de trabalho para estar conosco. Porém, ao presenciarmos tamanha alegria o nosso desejo naquele momento era de desbravar o mais profundo daquele território em busca dos seus diamantes (crianças) e apesar das mazelas sociais existente, da segregação e do descaso público para com estas pessoas, é um campo fértil de flores (adolescentes) que florescem a cada manhã gelada em meio à selva de pedra. Não demorou muito para que o nosso pedido fosse concedido. Uma das líderes comunitária virou-se para nós e disse: vocês querem caminhar e conhecer os novos moradores e a outra parte da favela?
De imediato partimos rumo ao desconhecido e entre uma casa e outra pausa para a prosa. Em uma pequena reunião uma senhora educadamente esperou sua vez para relatar sua história e não demorou muito para que as lágrimas viessem e com a voz tremula enaltece á favela, o sonho de ter um lar para acolhesse os filhos e insistentemente agradecia á Deus por ter um teto. Entre as pernas da mãe e sem saber o porquê das lagrimas as criança tímida compadece de igual forma e chora. Longe do imaginário dessa pessoa ela nos agracia com seus discursos, lágrimas e histórias de perseverança. E, mais uma vez estas pessoas nos mostram o tanto que equivocado é às pessoas em proferir ou concordar que é só das favelas que se proliferam as mazelas sociais; violência e trafico de drogas.
Nota-se que as histórias de luta pela sobrevivência e dignidade segue na contra mão da realidade exposta no imaginário midiático diariamente. Nem toda mazela prolifera-se da favela e toda marginalização direcionada á estas pessoas e seus territórios só reforçam á ideia de que o ser humano é injusto e cruel ao torná parte da sua própria sociedade invisível. E, ao contrario do que é exposto sobre o individuo do asfalto e os seus territórios “ditos normais” poucas vezes presencia-se o pulsar da vida com tanta veemência. E, assim seguimos em nossa peregrinação até sumir do alcance da visão daquela primeira família e a impressão que nos toma naquele momento ao olhar para trás e não mais ás vê-las é que para elas, nós, éramos a única chance de suas vidas. E, como as águas cristalina do rio esvaindo-se entre os dedos das mãos mergulhado ao leito em meio a verde floresta e ao canto alegre dos pássaros, erramos-nós para aquelas pessoas, por alguns minutos. Querendo ou não, eu, em particular por alguns minutos confesso que tive que me contentar com minha angustia e a inquietação.
Mas, caminhando entre um beco estreito não dei conta da minhas emoções. Metros a frente me virei e perguntei a presidenta da comunidade que nos acompanhava em missão de exploração territorial: Como vocês fazem para administrar, organizar todas estas famílias? As demandas são muitas em todos os sentidos e é praticamente impossível em nossa concepção administrar sem a presença do poder público. Pelo menos aprendemos assim! Ela parou olhou no fundo dos meus olhos e disparou: “Aqui pia todo mundo têm suas responsabilidades e sabem da suas obrigações. Ao contrário do que muitos pensam, existe ordem, ética e respeito; todos têm direitos e deveres, principalmente com as crianças. Todos têm que responder a chamada comunitária uma vez na semana... a fila fica enorme, mas tem que responder. Cada um tem o número no seu barraco e é por ele que são chamados, neste dia eles relatam todos os problemas e alguns são resolvidos na hora e outros durante a semana, aproveitamos para decidir tudo, até as festas.” Afirma.
É surpreendente o modelo de “gestão pública” independente elabora por eles. Seguimos e após algumas horas de caminha e já voltando paramos novamente para prosear com uma senhora haitiana, entre as falas pergunto: Há quanto tempo mora no Brasil? Pode nos falar sobre esta experiência? De imediato o silêncio tomou conta da nossa roda de conversa. Inquieto, quebro o silêncio novamente: Tem saudades dos familiares? “Sim, temos muita saudade dos pais e família no Haiti. Moramos a tempo no Brasil... maior que a saudade é a dor da discriminada... no Haiti, não sofríamos racismo e aqui Brasil somos maltratado por alguns brasileiros. Tenho medo de maltratarem meus filhos”. Naquele momento dava para ver nos olhos daquela senhora a dor e a tristeza e morar em uma favela totalmente desassistida é o mínimo frente a segregado racial sofrida.
Meu coração aflito se compadeceu com sua dor. Minha garganta secou e as palavras sumiram, sem saber o que falar á tristeza tomou conta do meu ser, mas sabia que não poderia sair dali sem pedir desculpar o mínimo. Mesmo sabendo que nada poderia amenizar a dor e tudo que falássemos não curaria a ferida aberta que perpetuará para toda uma vida. Peço desculpa á ela por todos nos brasileiros, principalmente por aqueles que de alguma forma direta ou indireta lhe ofenderá. Ela deu um profundo suspiro buscando forças no fundo de sua alma para nos responder. Junto com á resposta as lagrimas que rolavam em seu rosto: "Desculpa aceita, mas não foi você que me ofendeu e você não tem que pagar pelo erro dos outros." Sem ter o que argumentar nos despedimos com um abraço apertado e seguimos cada um seu caminho.
Confesso que foi uma experiência única e ímpar poder fazer parte por algumas horas da vida dessas pessoas. Em resumo os olhares trocados, as prosas e as lágrimas em suma são pedidos subliminares de auxilio para com a realidade diária, mas também reflete o medo de perder seus lares. E, por mais que tentávamos naquela tarde fria combater á desigualdade social, racial e ausência de política pública, sabíamos que não se trata só de legitimar ou lhes proporcionar acesso á nossa presença e auxílio, pois, as necessidades dessas pessoas vão além do assistencialista público/privado, das religiões, da cultura, ou seja, além das ideologias hipócritas. Estas pessoas precisam é serem reconhecidas como parte visível da sociedade por todas as esferas público/privado e terem seus direitos e deveres dignamente respeitados e efetivados como o cidadão do asfalto. 

José Antonio é presidente estadual da Central Única das Favelas do Paraná, ativista social, empreendedor social, pastor IPB, formado em Teologia (FTSA) e Psicologia. Contato: jose.cufaparana@gmail.com



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Projeto 5ª Essência Fetter Company

A dança, seja ela qual for a modalidade, tem por natureza própria agregar valores aos participantes como elemento cultural de expressão artística, além de aprendizados e outros sentidos. O Street Dance, que também é conhecido como dança de rua, é uma das formas de expressão artística com ampla riqueza cultural, e que tem se difundido cada vez mais na sociedade, sobretudo na juventude.
A CUFA – Central Única das Favelas de Toledo/Pr, por meio do Projeto 5ª Essência Fetter Company, não só entende o valor da dança para os jovens, como se utiliza da mesma com o objetivo de compreender e trabalhar valores e motivar os sentimentos artísticos dos nossos jovens. O Projeto 5E é idealizado e coordenado por Fernanda Fetter e atende em torno de 60 pessoas.
Através do 5E, os jovens têm a oportunidade de expressarem os significados que integram o campo de possibilidades artísticas e, além disso, o projeto contribui para a ampliação da aprendizagem, para a formação humana e para a qualidade de vida. Nas mais diferentes modalidades, os jovens que integram o grupo, têm a oportunidade de expressarem a linguagem da arte. O projeto tem ganhado vários adeptos e destaques na cidade, região e Estado, bem como em outros âmbitos. As coreografias inovadoras e os cenários urbanos que compõem cada apresentação, expõem não só o espírito juvenil pulsante, mas a necessidade de ir além dos limites da arte. Dessa forma, pedagogicamente falando, a dança é uma ferramenta de possibilidades e oportunidades para os alunos, de integração coletiva e ressignificação da autoestima. Nesse contexto, porque não inserir esse ritmo nos espaços escolares afim de estimular alunos em sua capacidade de sentir, pensar e agir no mundo?
A dança, em especial a dança de rua é uma manifestação cultural contemporânea que surgiu por meio da indignação dos jovens da periferia, que foram para as ruas manifestar seus desejos, sentimentos e ideias através do corpo e da dança. No entanto, comprovadamente, a dança (Street Dance) também pode ser considerada uma ação preventiva em relação à saúde e ao uso de drogas, pois, contribui para a manutenção e funcionamento do organismo das pessoas que a pratica. Enfim, a dança é uma expressão que de forma indireta e direta reflete a cultura, a religião, os costumes, os desejos, e os ideais; é uma forma artística de representatividade do contexto social.


 Fernanda Fetter - Coordenadora


 Moção de Aplausos - Câmara de Vereadores de Toledo




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II Arraia Comunitário do Vista Bela

As roupas ornamentadas e coloridas, os chapéus com rendas nas bordas, a fogueira e a grande roda de dança caipira anuncia á chegada da festa junina no Vista bela. Foi assim na tarde do dia 23/06, na comunidade. As pessoas se reuniram na Quadra Esportiva e juntas festejaram, o espaço se tornou em um grande palco e aproximadamente setecentas pessoas puderam apreciar a festa. A iniciativa é dar continuidade ao anúncio feito pelo Central Única das Favelas de Londrina em janeiro deste ano, realizar diversas ações socioculturais junto á comunidade do Vista Bela e outras. O acordo foi estabelecido na reunião de planejamento anual pelos coordenadores da Cufa Londrina, Leandro Palmeira e Michelle. A ação junina é uma iniciativa do Projeto Juventude pelo Bairro – UEL com apoio da Rpc Londrina e parceiros.
Notasse que as festas juninas no Brasil é uma tradição que se espalhou por todo território nacional alcançando milhares de brasileiro. Enfim, a fogueira, as bandeirinhas, as brincadeiras, o amendoim, a dança, o tradicional quentão, as deliciosas guloseimas a base de milho anunciam que chegou uma das épocas mais divertidas do ano. Uma data que faz parte do calendário cultural das pessoas e se tornou de fácil acesso para todos e por isto é comum encontra ações juninas nas escolas, igrejas e comunidade em geral. Mas o auge desta data é na região nordestina a onde se concentra as maiores festas do país. Tendo um importante papel na economia atraindo turistas de várias regiões do Brasil e do mundo, gerando empregos e renda.
O nosso objetivo em organizar tal manifestação cultural é proporcionar o envolvimento das pessoas perpetuando a expressão cultural popular que em particular faz parte da história do nosso povo. Á festa não visa lucro propriamente dito, mas a inclusão sociocultural. Apesar de que o fato de ter varias pessoas circulando em uma região indiretamente a economia local têm ganhos e também a relatado dos comerciantes locais que afirmam vender mais em seus estabelecimentos nesta época. Desta forma, é uma forma de propagar a valorização á cultural local e resgate de tradições que remetem à origem da celebração em territórios periféricos, enfim, acreditamos que todos ganhar.





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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Lugar de negro e pobre é na favela? Sim, por que não seria?

Versos | Prosas - Por Isaac Silva dos Santos.
Morte, violência, drogas, desigualdade, destruições, marginalidade, pobreza e miséria são sempre sinônimos na voz de uma sociedade alienada, midiática e por que não ignorante de fatos que acontecem nas favelas brasileiras. Torna-se comum indivíduos descreverem  a favela como lugar de raça negras e de classe social baixa, ou seja, lugar do pobre e do  negro.  A favela é sim uma grande verdade de demandas de pobres e negros, entretanto, seria esse o pior lugar do mundo para viver?
Porque é pejorativo como um local indigno de sobreviver, de educar filhos? No texto Sobrevivente da selva de pedra, o autor José Antonio C. Jardim, descreve uma favela com grande potencial social, cultural e econômico. A obra apresenta fatos que ajudam a desmitificar a favela como lugar de violência, alienação e bandidagem. A reflexão ainda propõe uma aproximação da realidade de quem sobrevive nestes locais a “selva de pedra” que por vezes são ignorado politicamente, culturalmente e socialmente, ou seja, um povo estigmatizado pela pele, classes social e localidades. O autor conclui sua análise, descrevendo que a grande massa da favela, não deveriam ser representada pela pequena porcentagem marginais que se escondem e objetivam recrutarem meninos e meninas para o crime.
Precisamos compreender que a proposta se torna irrecusável por dinheiro “fácil” ou como forma de  auxiliarem financeiramente suas famílias. Percebe-se que os jovens favelados são tão sonhadores como qualquer outros fora desta realidade, todavia, os moradores da favela são sim, verdadeiros guerreiros que lutam diariamente contra um estigma empobrecedor e buscam seu lugar como qualquer outro individuo para proteger e cuidar de sua prole. Os funkeiros Dinho & Doca versam: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar.” Hoje, nesta reflexão percebo a problemática de propor uma intervenção diante de tantas colocações de que favela seja como o câncer de uma sociedade, que vivem lá quem quer, que precisam ir para bem longe, para não enfeiar a nossa cidade. Será?
Como aproximar uma realidade negligenciada, muitas vezes corrompida e muito mais emblemáticas que o povo da favela. Não há como negligenciar que a discriminação racial e social, que também é herança histórica e que sempre esteve ligada aos interesses políticos e econômicos, somada ao processo tardio e passivo da abolição da escravatura e exploração de mão de obra barato, como consequência esse efeito trouxe para os dias atuais a visão naturalista das desigualdades entre brancos e negros, entre classes e localidade, provocando as diferenças de oportunidades até mesmo no desempenho educacional, demarcando um traço de inferioridade socioeconômica.
É inegável ao se analisar a história do Brasil e sua formação tanto cultural, como social e econômica, a importância e a participação ativa da população pobre e negra neste processo. Entretanto, desde a forma como foram divididos as classes sociais no Brasil, cuja trajetória é marcada pela quase inexistência de políticas públicas para reverter os lastimados dados ora apresentados, que refletem uma realidade de total exclusão dos menos favorecidos na sociedade ativa.
Atualmente a sociedade deva atentar para a importância de ações afirmativas como as urbanizações, saúde, acessibilidade, educação, saneamento básico e etc. Neste sentido é indiscutível a importância da aproximação da sociedade, com realidade obtidas de relatos e informações dos moradores e não de senso comum ou mídias que empobrecem a favela, e afastam os olhares de política pública a ser utilizada para diminuir esse abismo social entre a população favelada e as demais etnias que compõem a sociedade brasileira.
Isaac é psicólogo, pastor e ativista em favor das questões afro-brasileira.

Cufa Curitiba discute projeto de combate ao racismo institucional

A História do Brasil é marcada pelos intermináveis capítulos a respeito da escravidão e do genocídio da população negra e indígena. E é neste mesmo país que todo ano 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados, aproximadamente 63 por dia e 1 a cada 23 minutos. Os dados desta triste realidade podem facilmente ser encontrado no mapa da violência 2016 e em relatório de instituições que estudam a questão violência. E, em meio o dados encontra-se o fator racismo que pouco é discutido. No entanto, no entrelaçamento dos objetivos das ações desenvolvidas pela Cufa indiretamente trabalha-se ações que conscientize que coíba a pratica do racismo. Desta forma, no último dia 25 de julho, a Central Única das Favelas de Curitiba através da pessoa do seu Presidente Estadual José Antonio C. Jardim (Zé da Cufa) que foi convidado á se reunir em Curitiba na sede ESPC - Escola Superior da Policia Civil do Paraná com o Dr. João Carlos da Costa e o Dr. Diretor da Sebastião Ramos Dos Santos Neto.
No Brasil como em outros países, a questão racial começa a aparecer como relevante na última década e é a partiu de alguns casos, assim também com a criação de algumas leis. Porém, nota-se que no Brasil as atitudes racistas em sua maioria são veladas, Visando todo o contexto (principalmente á questão do racismo velado) em que ambas as instituições estão inseridas e com fins de contribuir no combate ao racismo, ambos discutiram sobre as ações das instituições no Estado do Paraná e as atividades que possivelmente podem ser desenvolvidas no combate ao racimo, racismo institucional e morte e violência contra o jovem negro. E, como se trata de uma instituição pública que lida diretamente com um público que em partes está relacionado á conflitos a pauta foi em juntar forças no combate ao racismo individual e o institucional. 
No caso do racismo individual pensou-se em ações de conscientização, pois está forma sutil de racismo na maioria das vezes passa despercebida aos olhos da vitima e acontece quando alguém basicamente se acha superior ao outro por conta de sua cor. No caso do racismo institucional é desencadeado quando as estruturas e instituições, públicas e/ou privadas, atuam de forma diferenciada em relação a determinados grupos ou pessoa em função de suas características (cor), físicas ou culturais. É importante trazermos estas discussões de enfrentamento para todos os âmbitos da nossa sociedade e com o máximo de parceiros possível, principalmente as instituições que atendem os jovens.  E, fazer com que não só as instituições públicas e/ou privadas, mas a sociedade de forma geral discutam á temática é de suma importância no combate ao racismo.
Cufa Paraná: contato.cufaparana@gmail.com

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Cufa Curitiba participa da banca do prêmio Bom Exemplo Paraná

No dia 25 de Julho, a Central Única das Favelas de Curitiba, através da pessoa do seu Presidente Estadual José Antonio C. Jardim (Zé da Cufa) participou do Premio Bom Exemplo Paraná. Juntamente com outros curadores na sede da Rrp Tv na última terça-feira, Jardim compôs a banca examinadora, na ocasião selecionaram os cinco (5) finalistas da categoria Cidadania. O Prêmio Bom Exemplo é uma iniciativa da Fundação Dom Cabral em parceria com RPC Tv e visa fomentar as boas praticas cidadãs e visibilizar pessoas que em meio ao seu cotidiano desenvolveu ações positiva que colabora com á sociedade.
No entanto, a partir do dia 31 de julho a 4 de agosto, os cinco finalistas serão revelados em matérias veiculadas no Bom Dia Paraná. Depois das apresentações em rede estadual o público poderá escolher entre os cinco semifinalistas os três finalistas por meio do voto popular, via enquete no site do concurso: http://redeglobo.globo.com/rpc/Premio-Bom-Exemplo/ Ao todo, neste edição foram mais de 600 indicados de toda á região do Paraná. Outros detalhes sobre a seleção podem ser conferidos no link: http://redeglobo.globo.com/rpc/Premio-Bom-Exemplo/noticia/bom-exemplo-2017-banca-analisa-projetos-da-categoria-cidadania.ghtml

Liga Paranaense dos dragões – Cufa Cambé

Desde 2000, a Liga Paranaense dos Dragões - CUFA Cambé atende crianças e adolescentes no Projeto Social Liga. Disponibilizando aulas gratuitas de boxe, muaythay e kickboxing, no Jardim Ana Eliza III. Na Liga são atendidos aproximadamente 60 alunos que além das atividades esportivas tem à disposição ações sociocultural. "Nossa missão é ajudar na melhora da qualidade de vida do jovens e além acompanhar o desenvolvimento de cada criança não só na academia, mas na escola. Buscamos aproximar os pais e filhos, difundir a paixão pelo esporte. Em breve pretendemos por á disposição da comunidade a biblioteca comunitária, ginástica para os idosos, cursos de inglês, entre outras atividades." afirma Mestre Kim
A Liga foi idealizado por José Roberto Nicolau (Mestre Kim) que na infância sonhava em estudar artes marciais e só na juventude pode ter acesso á prática de capoeira, boxe e outras. Mestre Kim, não demorou em se despontar nas artes marciais, pois tem facilidade em absorver conhecimento. A Liga, passou a fazer parte da Central Única das Favelas em 2010; a Cufa apoia iniciativa como esta por entende à importância do esporte na formação do individuo e além da qualidade de vida – saúde. Em parceria com academias da região ambas as instituições tem a prática de adotar crianças para treiná-las na mais várias áreas das artes marciais. 
E, sobre á tutela da ISKA Mundial a Liga, academias e a Cufa (Central Única das Favelas) tem organizando grandes festivais de lutas em Cambé e região, visando o fomento das artes marciais através de competições (amadora) de boxe, jiu-jitsu e muay thai e disputas profissionais de cinturões pela ISKA. Os eventos acontecem três vezes durante o ano em regiões diferentes. O objetivo de se juntar coletivamente é para disponibilizar aos atletas de favelas oportunidade de se profissionalizar e seguir carreia. A exemplo o atleta Cleitinho de Cambé que vem se destacando não só nos eventos da Liga como em outras competições na região. Dono de dois cinturões paranaense de boxe e muay thai.

 Cleitinho




sexta-feira, 28 de julho de 2017

Todos queremos ser respeitados e isto faz bem à nossa saúde

Versos | Prosas - Por Hernani Pereira dos Santos

O que o hip-hip, os graffitis, o skateboarding e o streetdancing têm em comum?  Além de serem palavras estrangeiras, todas elas designam práticas artísticas ou esportivas com um claro apelo estético e emocional destinado à população marginalizada e periférica, apesar de hoje estarem bastante difundidas nos contextos os mais diversos. Afinal, estas práticas surgiram todas de contextos periféricos – a maior parte delas, dos subúrbios e periferias estadunidenses. Contextos periféricos habitados por gente periférica.

 A maior parte desta gente era formada por jovens. Jovens estes que lidavam, diretamente, com a questão de qual identidade deveriam conquistar e defender para si. Identidade esta que, por sua vez, só poderia ser conquistada e defendida em face do outro, daquele que é diferente de mim. Assim surgiram diversas tribos urbanas, algumas das quais foram, com o tempo, assimiladas pela população periférica brasileira, novamente por uma questão de identidade e de diferença. A grande questão é que nem sempre somos respeitados em nossa identidade e em nossa diferença. Lembre-se, a título de exemplo, da recente proposta de criminalização do funk (outro nome importado, mas apropriado de acordo com todas as idiossincrasias das populações brasileiras). Alegando a pretensa defesa da “criança, o menor, adolescentes e família”, contra um suposto “crime de saúde pública”, esta proposta teve mais de 20.000 assinaturas e foi encaminhada para consulta pública (maiores detalhes podem ser consultados aqui:  http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/129233). 
Basicamente, o que se está dizendo é que esta prática cultural não deve ser reconhecida social e legalmente e que todo aquele que se vale dela com fins de autorrealização não pode mais contar com este laço de solidariedade que lhe garantia, pelo menos, a liberdade de seu exercício. Não é novidade alguma afirmar que somos seres sociais. Mas, talvez caiba enfatizar que a maneira como nos tornamos seres sociais e nos mantemos fiéis em nossos laços de sociedade depende da maneira como somos reconhecidos e respeitados. O primeiro reconhecimento, certamente, vem de nossos laços familiares mais íntimos. E a nossa confiança nos outros vem do amor que a nossa família é capaz de nos oferecer. Muitos jovens, infelizmente, sofrem com a rejeição familiar por não se encaixarem no conjunto de valores de suas famílias. Isso, sem dúvida, reflete em prejuízo na capacidade que eles têm de confiar em outras pessoas e de se sentirem seguros – literalmente, “em casa” – perante o diferente.
A fala de uma figura pública tem, é claro, os mais amplos impactos sobre a maneira como uma pessoa se relaciona com os outros e com ela mesma. Os efeitos de uma fala transmitida em rede nacional, por exemplo, podem reverberar de diversas formas sobre a maneira como um indivíduo vê a si mesmo e aos outros. Um rebaixamento constante de uma identidade ou de um grupo pode levar à negação de determinados traços ou práticas por parte de um sujeito ou um grupo de sujeitos e mesmo à culpa e à vergonha de ser quem se é, ou, no lado contrário, à violência e à violação de direitos por parte de outro grupo. Tome-se como exemplo o caso de pessoas membros da religião candomblecista que, devido ao estigma social, preferem não assumir ou expressar a sua religiosidade em público, pois sabem que serão rechaçadas ou excluídas de uma determinada esfera de convívio social.
Tome-se, também, o caso de indivíduos negros que deixam de considerar positivamente os seus traços físicos, ou mesmo as suas capacidades psicológicas, devido a um rebaixamento social destas características e, associado a ele, a um certo ideal de que as características associadas ao “branco” são mais positivas. Estes são apenas alguns poucos exemplos. Ao longo de nossas vidas, também queremos compartilhar de nossas experiências, crenças e valores com círculos mais amplos de pessoas, das quais nos tornamos amigos. Com estas pessoas, nos associamos de maneira mais duradoura e em vínculos de maior reciprocidade e respeito. Para além destes, também esperamos que os círculos mais amplos de pessoas, ao que damos o nome de “sociedade”, nos deem o respaldo para que possamos exercitar a nossa liberdade de crença e de valores, conforme algumas regras básicas de convivência. Desta forma, não esperamos que o Estado, por exemplo, nos coíba de exercer determinadas práticas estéticas ou culturais e por meio das quais nos reconhecemos mutuamente como pertencentes a um grupo.
Existirão conflitos, sem dúvida, mas, quanto maior for a violência pela qual somos coibidos neste exercício, menor será, em retorno, a nossa confiança naquele que nos coíbe (obs.: isto vale, também, para as relações entre pais e filhos). Um espaço de negociação deve sempre ser mantido, sobretudo nos casos de conflito. Acontece que, em muitos casos, o reconhecimento social e o respeito nos são negados de modo injustificado. Não há boas razões pelas quais um sujeito negro não possa ter como positivamente valorado os seus traços físicos pelos seus próximos ou, então, não possa ser reconhecido como merecedor de um status social que se julga como merecedor no meio de um grupo. Durante muito tempo, tanto no Brasil quanto em outros países, a justificativa dominante para esta depreciação e este rebaixamento estaria na (suposta) inferioridade da raça negra. Esta justificativa teve, de início, uma base “científica”. Mas, nada mais do que uma base científica suposta.
Além disso, também se baseou em um sistema extremamente excludente e segregatório pelo qual as oportunidades de fruição do convívio social e de governo da própria vida lhes eram negadas. Um sistema que, por outro lado, beneficiou uma série de pessoas que detinham o poder sobre os negros. Todavia, rejeitada a ideia de que haveria uma “raça inferior”, por que, ainda, mantêm-se os preconceitos e as práticas de exclusão com relação às pessoas negras? Pessoas ainda acreditam que sujeitos negros não são merecedores do reconhecimento social – e este reconhecimento não implica apenas o clássico sucesso financeiro ou de carreira. E este é um grande problema da sociedade brasileira nos dias de hoje (veja-se o texto de Karen Cogo sobre o racismo velado no Brasil, publicado aqui no Blog da CUFA: http://cufa-pr.blogspot.com.br/2017/07/o-racismo-e-velado-no-brasil_5.html).
 A ausência de reconhecimento e de respeito conduz a reações e emoções negativas nas pessoas. Aquele que se vê não reconhecido e não respeitado se vê ora com vergonha, ora com sentimento de culpa, ora com raiva ou com indignação moral. A coisa só piora quando a este cenário se soma a violência, seja ela física ou mesmo simbólica. Ter os cabelos puxados, ser esbofeteado, levar uma rasteira, ouvir palavrões ou palavras de rebaixamento moral, direcionadas para si ou para o grupo ao qual se pertence, ser impedido de transitar em um local público por conta de determinadas características físicas ou comportamentais ou por conta de seu credo, tudo isto é violência e tudo isto acontece ainda nos dias de hoje. Ver-se diante da negação dos próprios direitos é, pois, uma violência para com o sujeito: ele sê vê ou se sente como menor do que o outro e, portanto, como menos digno. A experiência constante destas emoções negativas tem, basicamente, duas saídas: por um lado, o sujeito pode se sentir menos capaz, menos potente, menos “energizado”, em seu dia a dia e perceber-se, com o tempo, depressivo; por outro lado, o sujeito pode, através da experiência destas emoções negativas, perceber que os seus direitos estão sendo violados e que não está sendo moralmente reconhecido e, assim, envolver-se na luta pela conquista de direitos e pelo reconhecimento social.
Ora, fica muito claro que, de um ponto de vista psicológico, o reconhecimento social e a garantia e o respeito de direitos básicos são um fator importante de nossa saúde. Se somos reconhecidos e respeitados, sentimo-nos capazes e podemos continuar no livre exercício de nossos projetos nas interações que mantemos com as outras pessoas. Se, por outro lado, não somos reconhecidos e respeitados, se temos os nossos direitos violados e sofremos violência, sentimo-nos incapazes, perdemos a confiança nos outros, deixamos de elaborar alguns projetos, que nos trariam maior satisfação com a vida, e podemos até mesmo chegar a evitar, progressivamente, o convivío social. É importante que todos os indivíduos possam ser reconhecidos e respeitados. Em alguns casos, podem precisar de ajuda especializada para voltarem a sentir-se capazes, seguros ou confiantes. Em outros, necessitarão da articulação de uma organização, de coletivos ou de um movimento social para que possam lutar por aquilo de que ainda carecem para o pleno exercício de suas capacidades e projetos no convívio social.
Hernani Pereira dos Santos é professor universitário do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Londrina, e doutorando da UNESP de Assis.
Contato: jose.cufaparana@gmail.com


MV Bill e Celso Athayde deixam a CUFA

Fundadores da CUFA, Celso Athayde e MV Bill, deixam ONG após 20 anos. Aconteceu no dia 25 de julho, Rio de Janeiro, a transição de diretoria estadual da CUFA. MV Bill e Celso Athayde deram lugar para Nega Gizza Presidente Estadual; Altair Martins Diretor Executivo; Elaine Caccavo Diretora Administrativa e Galdino Obando Diretor Social. A cerimônia de posse contou com apresentação de capoeira SBC e com a presença parceiros históricos da instituição, como Anderson Quack, Jair da Matta e Marilza Pereira.
Á 20 anos à frente da organização Celso Athayde e MV Bill, deixam ONG a troca foi formalizada no Viaduto Madureira, onde a Cufa desenvolve os projetos e interliga todas as ações nacionais e internacionais. Ao longo das duas últimas décadas, Celso e Bill contribuíram para que a CUFA ganhasse o mundo e atuasse, hoje, em 412 cidades, 27 estados brasileiros e em 17 países, com inúmeros prêmios internacionais de reconhecimento pela importância dos trabalhos da entidade, como Prêmio Darcy Ribeiro, Unesco, Rey da Espanha e ONU.
Entre os principais feitos estão o Hutúz Rap Festival, Taça das Favelas, Liga Internacional de Basquete de Rua (LIIBRA), Rock in Rio Social e a Semana Global da CUFA em Nova York. Agora, a dupla pretende se dedicar a projetos pessoais. Athayde embarca no mundo empresarial como presidente da Favela Holding, um grupo com 21 empresas especializadas em negócios nas favelas, enquanto Bill passa a doar-se exclusivamente à carreira artística e nega que irá concorrer a uma vaga para o senado, apesar das pesquisas apontarem que teria mais de um milhão de votos.
Nunca fiz parte da CUFA juridicamente, nunca assinei documentos ou tive função oficial. Mas isso não diminuiu a minha responsabilidade com o nosso coletivo nacional. A CUFA é a minha vida, a minha fé, a minha convicção. Na CUFA conheci o significado do amor ao próximo e de humildade. A CUFA é a maior escola do mundo. Despedir-me do cotidiano da CUFA, mas não das suas iniciativas. Deixo para os novos diretores as decisões e passo a ser um soldado voluntário, um guerreiro pronto para todos os chamados. O Hip Hop é o maior movimento político do mundo, e por isso eu já faço política todos os dias.
Quanto a convites para a política, sim, sempre existiram. Mas ainda não me seduziram. As favelas precisam de referência na política urgentemente, mas existem pessoas melhores que eu para esta missão, afirma MV Bill Celso Athayde também fala sobre a sua saída. Minha missão agora é outra. É distribuir oportunidades de negócios e consolidar a revolução social por vias econômicas. Através da Favela Holding vamos trabalhar com as mesmas pessoas e nos mesmos lugares, continuando a mostrar que as favelas têm gente potente, não apenas carente. Não estou deixando a CUFA, apenas passando o bastão para novos atores.
Um dos meus objetivos a frente da FHolding é ajudar a CUFA financeiramente e potencializar a mão de obra das pessoas das favela. Nossa holding será uma das mantenedoras da CUFA. Além disso, vou continuar com minha relação de apoio às ações da CUFA, sempre pensando em formas alternativas para interagir com as favelas e seus moradores. É como um pai que fica feliz em ver que o filho cresceu e agora consegue caminhar com as próprias pernas. Mas estarei sempre por perto, completa.
Com a saída de Athayde e Bill, a direção será formada por Nega Gizza, Elaine Caccavo e Altair, assumindo, respectivamente, as funções de presidente, diretora administrativa e diretor financeiro, além de Galdino, morador da favela de Acari que acaba de retornar de Portugal e assume o centro de tecnologia da instituição. “É mais um desafio! São 20 anos de caminhada dentro da CUFA ao lado de Celso, Bill e tantos outros que aqui passaram. Aprendemos muito e nosso time está preparado para assumir. Somos uma família de muitas lutas e estaremos juntos para mais essa etapa”, afirma Gizza. Para outras informações acesse www.cufa.org.br
Cufa Paraná: contato.cufaparana@gmail.com









quarta-feira, 26 de julho de 2017

Arte Livre - Encontro de Graffiti de Toledo

Arte Livre é um dos maiores eventos realizados no Oeste do Paraná com intuito de agregar valores a Cultura Hip Hop, como forma de expressão e valorização dos artistas paranaense. Nesta primeira edição as imagens revelam a diversidade da Cultura de Rua existente em nosso estado,  em relação ao Movimento Hip Hop, skate e outros, imagens estas registradas no Centro da Juventude Mariana Luiza Von Borstel, Jardim Coopagro no último sábado dia 22. O Arte Livre é uma iniciativa da Central Única das Favelas de Toledo em parceria com as secretarias de Cultura e Juventude. O evento reuniu aproximadamente 350 pessoas. 
Foram momentos de intensas trocas, saberes e convivência. 
Na ocasião aproximadamente 250 metros de murro foram revitalizados por 36 grafiteiros de Curitiba, Cascavel, São Paulo e Maringá. As tintas doadas pela Central Tintas e a madeira utiliza nas rampas de skate por empresas local, o evento tem apoio de varias empresas e parceiros e, entre eles á RPC Tv. O objetivo do Arte Livre é  reunir os amantes das artes urbanas e juntos expor suas modalidades e talentos. “O nosso foco não é arrecadação, mas proporcionar um momento de lazer e aprendizado para os jovens e a comunidade em geral”, salienta Isaac; Coordenador da Cufa. 
Neste edição houve também competição de skate, batalhas de break, all style, cypher. Cerca de 40 dançarinos de break e 26 de all style divertiram-se e esparramaram. A Cufa tem o papel de organizar, incentivar e legitimar o discurso desses grupos, mas também fomentar, fortalecer e enaltecer a cultura hip hop , difundindo a arte do grafite e reduzindo preconceitos. Obrigado a todos os colaboradores, profissionais envolvidos e principalmente aos artistas e atletas que estiveram presentes. É hora de mostrar que o Hip Hop é cultura e é de rua! 








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