domingo, 17 de dezembro de 2017

20 de novembro: É coisa de preto!

VERSOS & PROSAS –  FAVELA | Por: José Antonio Campos Jardim
Foi nestes espaços de segregação, e marginalizado, que conquistei minha tão sonhada liberdade.
Desde criança, tive que aprender a surfar no olho do furacão e sobreviver era a meta, para não ser engolido pelo crime. Isto sim é coisa de preto. Desta forma, não tão diferente de milhares de famílias brasileiras, a minha também viveu abaixo da linha da pobreza. Pais humildes, pobres e semianalfabetos. E, mediante o sonho de dias melhores, também peregrinamos em busca da melhor qualidade de vida e, mediante as idas e vindas, tive a oportunidade de morar em algumas “favelas” no Paraná, na Bahia e um curto período em São Paulo. Em meio aos becos e vielas e ruas de terra é que vivenciei os encantos culturais das pessoas e dos seus territórios diferenciados. No entanto, o fato de não ter identidade local com os meus pares foi frustrante. Ao mesmo tempo, éramos anestesiados pela frustração de estar peregrinando e não criar laços com os territórios, com as culturas e com as pessoas. E, quando iniciamos o tão sonhado vínculo afetivo (identificação) com o outro – na escola, nas ruas e com os vizinhos de barracos –, era hora de partir em busca do ouro de tolo.
Naquele momento, o medo do novo (desconhecido) era afagado pelas velhas lembranças do futebol nas ruas, de soltar pipa no campinho de terra batida e dos longos jogos de bola de gude que, na maioria das vezes, adentravam a noite. Mas cada local em que pude estar foi um de aprendizado ímpar, que diretamente contribuía para minha indignação ao “levar geral” (revista) da polícia nas ruas ao ir para escola, pois esta é a única política pública constantemente presente nestes espaços (favela), o que, por sua vez, contribui diretamente para a segregação e a marginalização do negro. Estamos falando de direitos, de vidas ceifadas diariamente, da ausência do Estado, da história da construção desse país”. Vivenciamos diariamente nesses territórios as mais diversas mazelas sociais. Nesses espaços, tive o desprivilegio de conhecer os politiqueiros que nos vistam de dois em dois anos com fins da manutenção dos seus cargos. Vi meus irmãos e jovens negros (amigos) serem massacrados, marginalizados e assassinados. Vi meus irmãos e jovens negros (amigos) enveredarem-se para o crime. Vi meus irmãos e jovens negros (amigos) serem ludibriados pelo uso do antedepressivo dos jovens: o crack. Vi meus irmãos e jovens negros (amigos) entrarem para o crime, querendo dias melhores. Vi meus irmãos e jovens negros (amigos) entrarem para o mundo do crime para comprar uma casa melhor aos seus pais, ter um carro para dar um “rolê” (passeio), ter um relógio “da hora” (bonito), ter um tênis ou até mesmo um celular do momento. 
Mas foi nestes espaços de segregação, e marginalizado, que conquistei minha tão sonhada liberdade, meus estudos em teologia e psicologia, minha família e, no sonho de dias melhores, o pulsar da força de resistência. Foi nesses espaços e pelos dos ensinamentos dos mais velhos que aprendi a não desistir da luta diária em favor da minha vida, dos meus direitos e dos meus pares, aprendi que, mesmo nos momentos mais difíceis, devemos continuar a sonhar sempre, pois da ponte pra cá nada vem de graça. Nesses espaços, também vi meu pai ser preso algumas vezes durante o regime militar e voltar pra casa de cabeça raspada. Sob agressão, era neutralizado e conduzido pelos pracinhas: na maioria das vezes, ele estava “chapado” (alcoolizado), como muitos seres humanos que não aceitam toda a realidade de dor ao ver seus familiares (filhos) sem projeção de futuro. Do mesmo autor: E esse futuro que nunca chega? (artigo publicado em 02 de maio de 2017)  http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/e-esse-futuro-que-nunca-chega-716u2cj9wu6rw6lu8wqlywz05
Foi nesses espaços de turbulência constante que, quando adolescente, tive que escolher entre estudar e colher café, algodão e capinar soja para ou migrar para o crime, como muitos dos meus amigos. Tive de aprender a driblar a criminalidade nas lavouras em meio a frio, chuva e calor, e ao mesmo tempo entender das leis nas ruas para não ser mais um jovem negro nas estatísticas da criminalidade, ou seja, ser sugado pelas garras do crime. No entanto, alguns amigos negros que não tiveram a mesma sorte de benção se foram por achar que no crime poderiam conquistar a libertação do sistema “escravocrata” vigente. Nada foi fácil para nós e não será para os pares nos dias de hoje. O 20 de Novembro reforça nossa luta contra um sistema que nos vê como mais um. É fato que a “Casa Grande” não nos vê como parte do “poder”, somos a parte que entra em cena para uso, somos os buchas nos processos eleitoreiros. Somamos 54% da população, mas na prática somos a minoria nos espaços de poder político, nos gerenciamentos das grandes empresas e nos cargos de elite.
E, diariamente, somos convidados a concordar com afirmações como “toda cor é humana”. Absurda afirmação, pois sabemos qual cor é desumanizada diariamente. Entre os fatos históricos e da atualidade, não dá para aceitar a condição de buchas que nos é imposta pela “Casa Grande”; não dá para seguirmos terceirizando as nossas representações políticas, não dá para olhar para os espaços de poder (Brasília) e saber que existem bancadas para todos os gostos, exceto para os 54% da população. Não dá para aceitar que um ato racista seja apreciado pelos defensores dos bons costumes como um simples equivoco, como William Waack dizendo “É coisa de preto”. Não há como aceitar os números, olhando das arquibancadas, enquanto nossos jovens têm suas vidas ceifadas, pois, segundo pesquisa realizada pelo Ministério Público no primeiro semestre de 2016, no Paraná, quase metade das pessoas mortas pela polícia eram negras.
Os números espelham uma realidade tristemente brasileira, como mostram diversos outros levantamentos. Enfim, que na data de 20 de Novembro, o Dia da Consciência Negra, todos os seres humanos possamos entender que não se trata de “mimimi” ou só de dados, mas de números reais que apontam para um racismo velado, que muitos ainda insistem afirmar ser vitimismo. Estamos falando de direitos, de vidas ceifadas diariamente, da ausência do Estado, da história da construção desse país, que, em linhas gerais, não é contada verdadeiramente e, quando sim, é contada, na maioria das vezes, por um branco que insiste em postergar a verdade, como ocorreu em Belo Horizonte (MG), onde um texto aplicado para leitura dos alunos afirmava que a feijoada é um prato Europeu. Enfim, muitos sobreviveram ao impacto do racismo, mas muitos ainda vivem a dor de serem estigmatizados constantemente pela cor da pele. Que esta data seja um convite, todos os anos e diariamente, para que possamos refletir sobre nossas atitudes e os pré-julgamento em relação ao outro.
O texto se encontra publicado na Gazeta do Povo   Link: 

José Antonio C. Jardim, pastor IPB, ativista social, psicólogo e empreendedor social, é presidente estadual da Central Única das Favelas (Cufa)

REUNIÃO COM A CENTRAL ÚNICA DAS FAVELAS E FRYSHUSET

O presidente da CUFA Global, Preto Zezé se reuniu com o Embaixador da Suécia no Brasil, Per-Arne Hjelmborn, para discutir programas e parcerias entre Ceará, as organizações Fryshuset - Raisa Lang Velazco, U&We - Adalberto Alencar, Coordenadoria de Políticas Públicas do Estado do Ceará - David Barros e o Governo Federal. A agenda segue a todo vapor no Rio de Janeiro, onde Raissa Lang vista à sede da Central Única das favelas (Cufa), em Madureira, conhece o trabalho da Favela Holding e apresenta a Celso Athayde e Nega Gizza um pouco sobre a Fryshuset. Raisa seguirá para a capital cearense para conhecer o trabalho da cufa e dos parceiros. A visita também contará com reuniões com o prefeito de Fortaleza e governador do Estado do Ceará. Haverá visitas ao Centro de Formação Olímpica (CFO), recepcionado pelo Secretário estadual do Esporte, Euler Barbosa.

Já em Brasília o coordenador-geral de Políticas Setoriais, Helber Borges, se reuniu nessa quinta, 14/12, com o presidente da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé Lima, e a coordenadora internacional da Fryshuset, Raisa Velazco. A Fryshuset é uma associação sueca que trabalha com redução de desigualdades por meio do empreendedorismo e educação para jovens. O objetivo foi apresentar à Secretária Nacional Juventude o projeto que já está sendo desenvolvido pela Associação com jovens de Fortaleza (CE).

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Cufa Curitiba levou 230 crianças e adolesce ao Teatro Bom Jesus

No dia 11 de Dezembro, a Central Única das Favelas de Curitiba, através do seu Coordenado de Cultura Francês Ramalho, mobilizaram 230 crianças e adolescentes, de Curitiba e São José dos Pinhais, através do convite da Companhia Lótus Cia de Dança. Na ocasião, ambas as crianças e adolescentes tiveram á oportunidade de irem até o Teatro Bom Jesus e prestigiarem diversas apresentações que englobam á ideia central da companhia, com o tema: "Vejo humanos mas não vejo humanidade". Observa-se que em um país de tantas cores, a diversidade ainda luta diariamente contra o preconceito. Enfim, a varias forma ímpar de combate á segregação, porém, só poderemos avançar frente através de informação e conscientização dessa nova geração, desta forma, as apresentações em questão contemplaram os nossos anseios, dando continuidade em nosso calendário anual que estipulamos para a instituição durante todo o ano de 2017, buscar interagir e levar até as pessoas ações que tratam de resgatar, valorizar e divulgar a cultura afro-paranaense.

Observamos que o denso espetáculo os adultos, adolescentes e crianças retratarão através da dança um pouco do que vivemos nesta sociedade moderna tão intolerante.  Observa-se se que aos gritos os presentes se identificaram com á forma de expressão e de abordar o assunto. Á Lótus Cia de Dança e todos os integrantes estão de parabéns pelo lindo e informativo espetáculo. Registramos nossos agradecimentos em nome de todos os participantes e da instituição, a Lótus por nos presentear com os convites, á Grace Kelly Puchetti Rosa por auxiliar no translado, Clube das Mães – Vitória Régia e a todos os envolvido.





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As atividades, em Curitiba voltada á consciência negra não pararam!

Seguimos abrindo reflexões nas mais diferenciadas instituições e, em/na sociedade é uma das formas de expor ao conhecimento de todas (os) as formas e práticas existentes de racismo. A Central Única das Favelas do Paraná, á alguns anos tem proposto á sociedade levante em favor de conter toda forma de preconceito aos negros paranaenses.  Contudo, observa-se que a sociedade organizada, ou seja, alguns movimentos sociais e governo brasileiro têm sido alvo de muitas campanhas e programas para amenizar essas situações, mas nota-se que ainda vivenciamos dias em que o racismo é de certa forma velado. No entanto, também não atentamos para consequências á logo prazo no que desrespeita á saúde metal da população negra. Parte da população que luta em favor da causa e dos meios de comunicação (mediático) procuram trazer á discussão no mês de novembro, ou melhor, no dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra no Brasil, em que se comemora á data por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares um escravizado que foi líder do Quilombo dos Palmares e simbolizou a luta do negro contra a escravidão que sofriam os afro-brasileiros, porém alguns grupos fomentam ações e projetos durante o ano.
No Brasil, estamos falando de 54% da população, ressalta o psicólogo e teólogo José Antônio Campos Jardim ao debater a importância de se tratar sobre o assunto durante todos os 365 dias do ano, devido às consequências causadas pelo assunto que tanto afetam negativamente as estruturas do individuo. Á convite do Doutor Sebastião Ramos dos Santos Neto e João Carlos, na ocasião, ministraram sobre: "Racismo Institucional: As consequências psicológicas para o indivíduo";  na Escola Superior de Polícia Civil – ESPC. A palestra foi realizada no dia 05 de Dezembro, o Presidente Estadual da Cufa, José Antonio que estava acompanhado do psicólogo Isaac Santos – pesquisador da questão. Junto aos presentes da ESPC, PUC e outros, o palestrante chamou todos para refletirem e ampliar os focos no que despeita á aplicação dos direitos humanos, igualdade direita, respeito à dignidade da pessoa humana, de forma geral e, principalmente à questão da igualdade racial. No entanto, para conhecimento do contexto histórico, Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo. A data virou feriado no Brasil, embora não seja adotado em todos os locais – é feriado em 1.047 municípios brasileiros. Foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. “De forma silenciosa e velada o racismo institucional prolifera-se difusamente no funcionamento cotidiano de instituições. A Psicologia oferece inúmeras contribuições na assistência humanizada e promotora de dignidade. Não podemos ficar de braços cruzados perante esta realidade”. ... Comenta José Antonio





Confira:
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As atividades, em Loanda voltadas á consciência negra não pararam!

20 de novembro, Dia da Consciência Negra no Brasil, comemora-se nesta data por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares um escravizado que foi líder do Quilombo dos Palmares e simbolizou a luta do negro contra a escravidão que sofriam os brasileiros de raça negra. No dia 21 de Novembro, Cassio Gomes, colaborador da Central Única das Favelas de Loanda e como agente sociopolítico realizou uma palestra sobre Políticas Públicas voltadas aos negros, sobre as leis afirmativas, sobre conscientização política dos negros e até movimentos de capoeira. Á convite da Diretora Neka do Colégio Paraná. Na ocasião teve cooperação da Professora André Baronceli com jogo e Adelia Costa Alves Milharesi que compartilhou parte da fala.
No entanto, para conhecimento do contexto histórico, Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo. A data virou feriado no Brasil, embora não seja adotado em todos os locais – é feriado em 1.047 municípios brasileiros. Foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. No Brasil, os negros somam-se 54% da população, a maioria são moradores de favelas, movimentando 68,6 bilhões de reais por ano, segundo o Instituto Data Favela, desta forma, toda discussão continua é pertinente para o empoderamento dos pares na luta pela igualitariedade.

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Colorido dos grafites tomou conta das paredes do Centro da Juventude

O grafite surgiu na década de 1970, em Nova Iorque, quando alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade. Nos últimos anos á arte urbana evoluiu em suas técnicas e desenhos, dando viabilidade á vários artistas brasileiros. A Central Única das Favelas – em especial, no Paraná, nos últimos anos os artistas integrantes da Cufa têm ganhado destaque através dos seus trabalhos em território Nacional e Internacional, á exemplos Isaac Souza, Francês Ramalho e Anderson M. da Silva. A arte do graffiti é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. A definição mais popular diz que o grafite é um tipo de inscrição feita em paredes. Existem relatos e vestígios dessa arte desde o Império Romano. Seu aparecimento na Idade Contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
A Cufa está ligada diretamente em suas gêneses a vários movimentos urbanos, em especial ao Hip Hop. Desta forma, segue utilizando-se não só das culturas, á exemplo o graffiti, mas de todos os processos ideológico do Hip Hop para arrebanhar, redirecionar conceitos e escolhas infanto-juvenis.  Dentro desta perspectiva nos dias 20 a 24 de novembro, o Centro da Juventude de São Mateus do Sul, ganhou Mais Cores Mais Vida. Um grupo de 22 jovens participaram da oficina “A Arte do Grafite”, promovido pela Prefeitura Municipal, por intermédio da Secretaria de Assistência Social. O responsável por ensinar o passo a passo da arte, foi o instrutor do Senac e especialista em cultura urbana, grafiteiro, cantor, compositor e poeta, Anderson Marcos da Silva, de Cascavel. Andy como é conhecido na região Oeste é Coordenador da Central Única das Favelas em Cascavel.




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